
Você conhece a cláusula “Take or Pay”?
10/03/2026




A recuperação extrajudicial tem se consolidado como mecanismo de reestruturação de passivos no Brasil. Entenda como empresas de diferentes portes podem utilizar o instituto.
Recuperação extrajudicial e reestruturação de passivos
A recuperação extrajudicial voltou ao centro das discussões no ambiente empresarial após operações recentes envolvendo a Raízen e o Grupo Pão de Açúcar (GPA). No primeiro caso, a reestruturação anunciada envolve aproximadamente R$ 65 bilhões em obrigações financeiras. No segundo, a renegociação gira em torno de R$ 4,5 bilhões.
Embora os números sejam expressivos, tais movimentos apenas evidenciam uma tendência já consolidada: o uso da recuperação extrajudicial como mecanismo jurídico para reorganizar passivos financeiros relevantes, preservando a continuidade da atividade empresarial.
Não se trata, contudo, de ferramenta reservada a grandes conglomerados. O instituto pode ser utilizado por empresas de diferentes portes, desde que haja viabilidade econômica e adesão de credores suficiente para formação do quórum legal.
A aplicação prática do instituto
Em caso recentemente conduzido por nosso escritório, foi homologado plano de recuperação extrajudicial de empresa com mais de duas décadas de atividade, cujo passivo total alcançava R$ 5.007.132,43, com adesão correspondente a 51,65% do passivo abrangido.
O plano aprovado previu deságio de 85% sobre os créditos sujeitos, com carência inicial e parcelamento do saldo remanescente em 120 parcelas mensais consecutivas, estrutura que permitiu compatibilizar a reorganização do passivo com a preservação da atividade empresarial.
Na sentença homologatória, o Juízo ressaltou que o exame judicial deve se limitar à legalidade do plano, sem interferência em sua estrutura econômica, além de reconhecer a regularidade do quórum obtido para aprovação.
Conclusão
Casos recentes de grande repercussão e experiências práticas demonstram a mesma realidade: quando a empresa permanece operacional, mas sofre pressão financeira decorrente do passivo acumulado, a reorganização estruturada das dívidas pode representar alternativa juridicamente segura para restabelecer previsibilidade e preservar a atividade.
Se sua empresa enfrenta cenário semelhante, vale avaliar juridicamente as alternativas disponíveis.
Entre em contato com nosso escritório para uma análise estratégica da situação e verifique se a recuperação extrajudicial pode ser o caminho adequado para reorganizar o passivo e proteger a continuidade do negócio.
Direito Empresarial | Contencioso Estratégico